Alguns problemas e suas soluções na prática do uso das tintas serigráficas

 Nesse artigo vamos identificar alguns dos principais problemas e sugerir soluções.

1 . IDENTIFICAÇÃO DO MATERIAL

Antes de adquirir a tinta, solvente e retardador que o impressor irá utilizar, devemos identificar corretamente o material em que vai imprimir.
Existem muitos materiais diferentes e para cada uma pode haver uma tinta específica. Por isso é sempre bom fazer testes antes de iniciar um trabalho com um novo tipo de material ou com uma nova tinta.

2 . COMPATIBILIDADE DOS PRODUTOS

 
Para garantir a qualidade do processo e do produto final, em relação a tintas e solventes, é importante adquirir a tinta e os solventes do mesmo fabricante no mesmo processo. É uma das maneiras de garantir um resultado confiável e de qualidade. Por exemplo, usar tinta de fabricante A, solvente de fabricante B e retardador de fabricante C, muitas vezes por razões econômicas. É uma economia falsa, e isso é procurar problemas, às vezes até graves economicamente, porque no caso de algum desvio na qualidade do produto final (fixação, brilho, etc…) dificulta na identificação da causa do problema, muitas vezes provocados por incompatibilidade entre tinta x solvente x retardador. Logo, solvente e retardador devem ser compatíveis com a formulação da tinta, informação esta, que só o fabricante da tinta possui.

 3 . PROBLEMAS DURANTE O USO DA TINTA

 
a) Secagem da tinta na tela
 
Causa
Solução                                                                
Ambiente muito quente                   
  • Adicionar de 5 a 10% de Retardador        
  • Imprimir cobrindo o desenho                      
Ventilação Excessiva
  • Isolar a tela nos lados e na parte de trás para evitar ventilação na tela e na tinta.
  • Imprimir cobrindo o desenho
 
b) Falha de impressão em pontos isolados
 
Poeira
  • Limpar as peças que serão impressas com solvente adequado
Grão da tinta maior que a abertura dos fios da tela
  • Usar tela com menos fio
  • Usar tinta com grão menor
Velocidade do rodo
  • Reduzir velocidade de aplicação
Redo com dentes
  • Afiar o rodo
Tinta Grossa
  • Adicionar de 5 a 10% de solvente apropriado
c) Manchas claras na Impressão
 
Excesso de solvente na tinta
  • Adicionar mais tinta pura
  • Quando preparar a tinta, não usar mais do que 10% de solvente, exceto sobre orientação do fabricante
Tinta transparente
  • Aplicar de duas a mais demãos
 
d) Impressão borrada
 
Excesso de solvente
  • Adicionar mais tinta pura
  • Quando preparar a tinta, não usar mais do que 10% de solvente, exceto sobre orientação do fabricante
Náilon frouxo (tensão insuficiente)
  • Melhorar a tensão da tela (utilizar 20 N/cm de tensão, ni mínimo
Fora-contato insuficiente
  • Aumentar o fora contato
Velocidade do rodo muito lenta
  • Aumentar velocidade do rodo
Ângulo do rodo muito baixo
  • Trabalhar com rodo em um ângulo de 75º
 
e) Serrilha ou formação de escada
 
Má gravação da tela
  • Solicitar nova gravação ou nova tela
Ângulo do rodo muito alto
  • Trabalhar com rodo em um ângulo de 75º
Pressão excessiva no rodo
  • Imprimir sem muita força no rodo, diminuir o fora-contato
“Dentes” no rodo
  • Afiar o rodo
Náilon frouxo
  • Tencionar mais a tela
  • Diminuir o fora-contato
 
f) Tinta não tem fixação nenhuma
 
Tinta não compatível com o material
  • Identificar o material para saber que tinta é mais adequada
Falta de Preparação do material
  • Para EVA, usar Primer, pintar após 15 minutos
  • Para SBR e TR, usar Halogem, pintar após 15 minutos
  • Para Polietileno, usar Flambagem (tratamento)
  • Para PU velho ou TPU velho, limpeza com solvente adequado e aquecimento da peça antes de imprimir.
 
g) A tinta tem fixação, mas solta em algumas partes
 
Poeira
  • Limpar as peças com solvente adequado
Condensação de umidade
  • Aquecer a peça antes de pintar
Transpiração ou gordura dos dedos
  • Não tocar na área que vai ser impressa
  • usar luvas
  • Limpar as peças com solvente adequado
Água no solvente de limpeza
  • Trocar por solvente não contaminado
Primer ou Halogem vencidos ou com falhas
  • Trocar por produtos novos
Excesso de plastificante
  • Limpar peças com solventes adequados
Tinta sobre tinta metálica
  • Imprimir as tintas metálicas por último
  • usar tinta metálica com concentração de metal reduzida
 
h) Secagem lenta na peça impressa
 
Excesso de retardador
  • Usar o mínimo possível de retardador ou não usar nada
Umidade do ar muito alta
  • Secar no calor e com ventilação
Excesso de tinta na peça impressa
  • Usar rodo bem afiado
  • Aplicar apenas duas demãos, se precisar aplicar mais, fazer secagem entre as demãos.
Ambiente muito frio
  • Secar no calor e com ventilação
 
i) Queima na frequência (curto)
 
Tintas com metal (pratas, ouros e alguns pretos)
  • Baixar a quantidade de metal da tinta, pode ser conseguido com adição de verniz incolor compatível com tinta
  • solicitar ajuste junto ao fabricante
Máquina desregulada
  • Regular a máquina
 
j) Tina sem cobertura
 
Excesso de solvente na tinta
  • Adicionar mais tinta pura
  • Quando preparar a tinta, não usar mais do que 10% de solvente, exceto sobre orientação do fabricante
Tintas transparentes
  • Não tem solução, é uma característica da tinta
Tinta com baixa concentração de pigmento, mesmo sem adição de solvente (puras)
  • Solicitar ajuste ao fabricante
  • aplicar de duas a mais demãos (há casos de tinta que precisarão ser feitas com concentração baixa, é o caso de tintas metalizadas que vão no processo de frequência, para não dar curto).
 
l)Tonalidade da tinta Diferente do padrão
 
Tinta fora de cor
  • Ajustar cor com pigmentos adequados
Falta de Agitação
  • Agitar bem a tinta antes de usar (Usar agitador mecânico ou pneumático)
Excesso de Solvente
  • Usar no máximo 10% ou não usar nada
  • adicionar mais tinta pura
Tinta contaminada
  • Limpar bem o agitador ou espátula de agitação da tinta
  • limpar bem embalagens e tampas
Quantidades de demãos incorretas
  • Aplicar a mesma quantidade de demãos conforme cartela padrão
Diferença na cor do material (material mais escuro)
  • Aplicar mais demãos de tinta
  • aplicar tinta mais clara como base
Padrão velho ou sujo
  • Comparar com outro padrão
  • limpar padrão com produto que não remova a tinta
Mudança de padrão
  • Usar padrão atualizado

CONCLUSÕES FINAIS

 
  • A serigrafia é aparentemente simples. Porém, existe uma série de variáveis que, quando alteradas, podem mudar completamente o resultado final.
  • Conhecer bem o processo será muito útil na tomada de decisões.
  • Sempre procure realizar testes, mas nunca durante a produção.
  • Padronização (repetitividade dos parâmetros ao longo das etapas) deve ser considerada com a garantia do sucesso.
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Carlos Damasceno

Carlos Damasceno é um apaixonado por desenho e por arte em geral, desde desenhos em papel, a desenhos em qualquer superfície, como camisetas, chaveiros, utensílios de plástico, metal ou qualquer outra superfície. Foi exatamente por causa por isso que também passou a se interessar por serigrafia.

Website: http://www.cursodeserigrafia.org

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