Tintas e Solventes para Serigrafia

tintas para serigrafia

Em serigrafia há um tipo de tinta para cada superfície. Assim, a mesma tinta utilizada para se imprimir um determinado tipo de tecido não serve para a impressão de plásticos como por exemplo o vinil, o polietileno ou o poliestireno.

Existem tintas próprias para vidro, madeira, plásticos, papel, acetato, tecidos de todos os tipos, metais, etc. Os fabricantes de tintas fornecem literatura suficiente para evitar a utilização inadequada de seus produtos, as quais contém informações importantes como poder de cobertura, resistência à luz, tempo de secagem, etc. Algumas dessas informações estão disponíveis na Internet.

As tintas estão à venda em latas de 1/4 de galão e embalagens maiores ou menores em alguns casos. São fabricadas em diversas cores e cada uma dessas cores existe nas seguintes categorias: brilhante, fosca, fluorescente, metálica, transparente e opaca.

É importante para o serígrafo conhecer alguns fatos sobre a tecnologia da fabricação de tintas. Basicamente, a tinta, seja para serigrafia ou para qualquer outra aplicação, é uma mistura de vários produtos químicos. Esta mistura, chamada pelos profissionais do setor de “formulação”, pode ser dividida em três partes:

a) um óleo ou resina (denominado “veículo”);
b) o pigmento (que fornece a cor);
c) outros produtos químicos que servem principalmente para evitar reações químicas indesejáveis.

Nas fábricas de tintas esses produtos são misturados em quantidades previamente determinadas e a seguir são batidos ou moídos durante um certo período de tempo.

Embora uma tinta, com todas as suas cores, seja apresentada para uma aplicação específica, nem todas essas cores têm formulações exatamente iguais. Isto acontece porque os pigmentos são fabricados a partir de matérias-primas diferentes, as quais nem sempre são compatíveis com os demais componentes da formulação, exigindo a adição de outros produtos com o objetivo de neutralizar essa incompatibilidade.

A tinta sempre tem propriedades adesivas, isto é, ela adere ao material no qual foi aplicada, cobrindo-o com uma película cuja espessura depende da quantidade da tinta empregada. No caso da serigrafia essa espessura está estreitamente relacionada com a maior ou menor quantidade de fios utilizado na matriz. Mais fios é igual a menos passagem de tinta e vice-versa.

A película ou filme resultante da camada de tinta só aparece depois do processo de secagem.

São dois, basicamente, os processos de secagem:

  • por evaporação;
  • por oxidação.

Por evaporação entende-se que os materiais voláteis existentes na formulação da tinta desfazem-se em contato com o ar, restando apenas os materiais sólidos.

No processo de secagem por oxidação, os materiais voláteis, em contato com o oxigênio do ar, provocam uma reação química semelhante à reação que ocorre em alguns metais e que resulta na ferrugem. Isto faz com que toda a tinta se transforme em material sólido.

O leitor deve notar que não dispondo de meios mecânicos para secagem, seja qual for a tinta utilizada, é muito importante a adequada ventilação do ambiente de impressão para uma rápida e eficiente secagem.

A maioria das tintas seca à temperatura ambiente mas existem algumas que não secam ao ar, sendo necessária a utilização de uma estufa. O processo de secagem ao ar ocorre em duas fases distintas que são:

  • secagem ao toque;
  • secagem definitiva.

Por secagem ao toque entende-se que depois de algum tempo (geralmente uma ou duas horas), o impresso pode ser manuseado sem que o manuseio lhe cause dano. A secagem definitiva ocorre em geral, depois de 24 horas. As fábricas de tintas geralmente informam qual o tempo necessário para cada fase de secagem.

O acabamento ou aspecto apresentado pela tinta depois de seca pode ser previsto facilmente uma vez que as fábricas classificam seus produtos de acordo com o acabamento final e também fornecem amostras pintadas ou cartelas de cores.

As tintas classificadas como Brilhantes apresentam brilho que refletem a luz; as Transparentes permitem a passagem da luz; as Fluorescentes absorvem a luz e refletem uma luminosidade própria, dando à cor uma espécie de radiação luminescente. E as Metálicas apresentam acabamento similar a alguns metais.

Embora existam tintas com grande variedade de cores, a maioria das fábricas, para simplificar a produção e para minimizar seus custos em estoques produz apenas uma quantidade limitada de cores.

Essa limitação não é prejudicial porque as tintas são miscíveis entre si e assim o serígrafo pode produzir a tonalidade desejada misturando duas ou mais cores.

As fábricas colocam à venda também em todos os tipos de tintas, uma tonalidade classificada como “incolor”que nada mais é senão o veículo da tinta sem pigmento.

Em geral a tinta incolor presta-se para a mistura de purpurinas ou outros materiais (estas misturas, feitas “em casa” quase sempre estragam (oxidam-se) em mais ou menos 24 horas (mas esse tempo permite que seja feita a impressão) ou para a impressão de uma base sobre a qual, depois de seca, serão impressas outras cores.

Quando expostas ao sol e às intempéries, as cores tendem a diminuir a sua intensidade. Com o passar do tempo elas ficam meio apagadas, sem viço, e podem até desaparecer completamente. Este fenômeno é provocado principalmente pela luz intensa emanada pelo sol e em ambientes internos por outras fontes de luz.

Por essa razão as fábricas fazem testes exaustivos com o objetivo de saber até que ponto as suas tintas são capazes de resistir à luz sem descorar. Não é possível medir essa capacidade com exatidão e por esse motivo as indústrias geralmente informam no item “resistência à luz” as seguintes informações: Boa, Muito boa, Razoável.

O serígrafo deve analisar a peça a ser impressa para depois escolher a tinta apropriada. Um faixa de pano cuja mensagem deve perdurar por apenas 15 ou 20 dias, pode ser impressa com qualquer tinta de baixo custo. Por outro lado, uma placa que deve ser exposta durante dois ou três anos só pode ser impressa com uma tinta cuja resistência à luz seja “Muito boa”.

Outras informações como poder de cobertura, qual a trama do tecido mais indicada, materiais que possam ser impressos com a tinta, etc, são fornecidos nos boletins técnicos distribuídos pela indústria.

Entretanto, todas elas ressalvam que as informações destes boletins são dadas de boa fé, baseadas em testes realizados anteriormente e que as condições climáticas e ambientais podem eventualmente, alterar o resultado. Isso é verdade. Por essa razão, o serígrafo nunca deve iniciar uma tiragem sem antes testar todos os materiais envolvidos.

As tintas para serigrafia são classificadas também em três categorias principais:

  • Tintas à base de solventes;
  • Tintas à base de água;
  • Tintas ultra-violeta.

As tintas à base de solventes orgânicos, geralmente derivados de petróleo, são mais problemáticas, mais dispendiosas e oferecem riscos diversos ao utlizador. Entretanto, essas tintas são inevitáveis porque muitos materiais só podem ser impressos com elas.

Cada uma dessas tintas tem o seu solvente exclusivo e uma não pode existir sem o outro. Nunca compre tintas à base de solvente sem comprar o solvente compatível pois só com ele pode ser feita a limpeza da matriz e outros materiais utilizados na impressão. Além disso o solvente serve também para diluir a tinta alterando a sua viscosidade que deve ser apropriada ao tipo de matriz.

Os solventes e as tintas dessa classe são tóxicos; nunca devem ser manuseados em ambientes fechados para evitar a alta concentração de gases, o que provoca alto risco de explosão. Na medida do possível o impressor deve usar luvas para proteger-se.

Não se deve fumar, nem acender fogareiros, ou utilizar aparelhos que provoquem fagulhas ou faíscas tanto na área de impressão como na área de secagem. Não usar telefones celulares.

As tintas à base de água são menos dispendiosas por que não exigem a compra de solventes. Nesse caso o solvente é a água que pode ser obtida em qualquer torneira. Essas tintas podem ser diluídas com água e é também com esse líquido que se faz a limpeza dos materiais. Além disso não apresentam risco de incêndio nem perigo para a saúde.

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Carlos Damasceno

Carlos Damasceno é um apaixonado por desenho e por arte em geral, desde desenhos em papel, a desenhos em qualquer superfície, como camisetas, chaveiros, utensílios de plástico, metal ou qualquer outra superfície. Foi exatamente por causa por isso que também passou a se interessar por serigrafia.

Website: http://www.cursodeserigrafia.org

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